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A inovação em favor da água

por Eduardo de Mello e Souza

30 de dezembro de 2014

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Eduardo Cezar de Andrade de Mello e Souza

Em tempos de mudanças climáticas causadas pelo homem, a água, essencial para vida e funcionamento de nossa sociedade, figura cada vez mais no centro do debate cívico nacional, já sendo motivo de migrações em massa e conflitos armados em outras partes do planeta. Existem soluções para lidar com crises deste tipo, mas precisamos deixar de lado o jogo de empurra-empurra político e começar a agir, tanto aproveitando boas práticas e ferramentas que temos já, quanto abrindo caminho para novas transferências de tecnologia que facilitem inovações no fornecimento e aproveitamento da água.

Quem trabalha com a proteção e comercialização de tecnologias vê soluções serem desenvolvidas e patenteadas no Brasil, mas sente dor no coração ao ver que algo tão útil e necessário pouco se traduz em inovações no ramo de construção civil. Parte do problema vem da dificuldade na homologação de novas tecnologias e técnicas de construção no rol de aceito pelos agentes de financiamento no Brasil. Parte vem do tempo necessário para treinar engenheiros em novas soluções, para que estes não tenham medo de assinar obras com soluções inovadoras. Já o principal culpado pelo problema parece ser a desinformação do público, quanto à existência de tecnologias que podem drasticamente reduzir o consumo de água e o custo operacional do imóvel a médio e longo prazo, apenas incorrendo um ligeiro aumento no investimento de construção ou reforma do imóvel.

Conservar água é o primeiro e mais fácil passo na direção certa. Exerça moderação no uso da água. Considere instalar arejadores e restritores de vazão em pias e chuveiros, bem como dosar adequadamente o tempo de descarga nos vasos sanitários. Para os jardineiros entre nós, usem plantas que mantenham sua beleza mesmo sem irrigação constante, como a Rosa do Deserto (AdeniumObesum), Pata de Elefante (BeaucarneaRecurvata), Zamioculcas e plantas suculentas.

Reaproveitar água vem em seguida, com a coleta de água da chuva e captura de drenos de pias e chuveiros. Essa água precisa ser limpa antes do reuso, seja por mecanismos biológicos como telhados verdes, seja por membranas filtrantes, separadores por vortex ou por meio do tratamento químico da água pela cloração e adição de agentes floculantes para limpeza. Mais recentemente, uma empresa americana introduziu um novo processo para a limpeza d’água usando eletricidade, pela eletrocoagulação seguida da eletro-flotação de contaminantes em solução. Todas estas tecnologias existem em nível comercial, a custos compatíveis com a realidade brasileira e poderiam ser aplicadas no país.

Existem, hoje, também soluções alternativas ao tratamento químico de esgoto, que viabilizam a mais complicada reciclagem da água pós uso doméstico, comercial e industrial. Algumas das quais são capazes de gerar energia elétrica durante o processo. Isso, sem mencionar a gama de tecnologias que simplesmente dispensam água para a coleta e tratamento de dejetos humanos, e o fazem com ajuda de animais, sais e física.

Temos de agir já na conservação para evitar o impacto de uma crise de abastecimento d’água. Em seguida, precisamos incentivar mais experiências de aprendizado que resultem em transferência de tecnologia para dentro das construtoras, simplificar o caminho da homologação e começar a pensar em nossas moradias como investimentos a longo prazo, aplicando soluções para economia de água.

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Eduardo de Mello e Souza

Agente da Propriedade Industrial , Engenheiro de Controle e Automação

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