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Para além dos colecionáveis, NFTs podem estar nos cartórios do futuro

01 de abril de 2021

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Você pagaria mais de US$ 3 mil por um GIF? Ou mais de US$ 300 por um pequeno filme da liga de basquete norte-americana NBA? O primeiro tweet da história, de Jack Dorsey, CEO do Twitter, tem oferta de US$ 2 milhões em um leilão. Todas essas coisas são negociadas no mercado de NFTs (non fungible token, ou tokens não fungíveis), que cresceu quase 300% em 2020, segundo levantamento do L’Atelier BNP Paribas e do Nonfungible.com. E esse deve ser só o começo.

“A aplicação é quase infinita”, diz Felipe Dannemman, do escritório de advogados Dannemmann Siemsen, que atua com propriedade intelectual. Os NFTs representam ativos não fungíveis, isto é, ativos únicos e insubstituíveis. Isso vale para uma canção, uma pintura ou um apartamento em específico. Assim, baseados em blockchain, é possível rastrear seus autores e verificar sua autenticidade.

Essa possibilidade tem atraído a indústria da arte para os NFTs. Na semana passada, a banda norte-americana Kings of Leon anunciou que vai lançar um álbum usando a tecnologia. Já a cantora Grimes vendeu arte digital tokenizada por US$ 6 milhões. Em relação ao uso de uma música ou de uma imagem, os NFTs facilitam o pagamento de royalties.

“Hoje, mesmo que você queira pagar um royalty pelo uso de um .jpg, por exemplo, você não vai conseguir, pois não é possível rastrear o artista”, diz Samir Kerbage, CTO da Hashdex, gestora especializada em criptoativos. “Com NFT, é possível pagar diretamente para ele, usando o token”.

Isso abre espaço não apenas para artistas independentes monetizarem seus trabalhos, mas também para a especulação do mercado. Imagine comprar um quadro do Van Gogh enquanto ele era vivo, no século XIX – quando ele valia muito pouco. Em 2018, uma das obras do holandês foi vendida por 7 milhões de euros. O mesmo pode acontecer com uma cryptoart, representada por um NFT.

Nada impede que um comprador de um NFT reproduza seu conteúdo na internet – em última instância, os clipes da NBA estão no Youtube e ninguém precisaria comprar o ativo digital. Mas o blockchain por trás deles é o que dá a exclusividade e originalidade à peça, dando status ao que foi comprado. A marca de luxo Louis Vuitton, por exemplo, já usa a tecnologia para rastrear seus artigos.

Além das artes

Apesar de ainda nichados, os NFTs podem invadir o cotidiano antes do que imaginamos. “Ele pode ser utilizado em registro de posses de qualquer bem único”, diz Kerbage. Ou seja, imóveis e carros usados podem entrar na dança. A digitalização permitiria a compra de casas em qualquer lugar do mundo, de maneira muito mais rápida e menos burocrática do que hoje. “Isso muda a liquidez global”.

Em termos de legislação, as mudanças exigidas também seriam mínimas, afirma Dannemman. Já há precedentes internacionais de judiciários aceitando provas atreladas ao blockchain, e, em relação à propriedade intelectual, esse tipo de transação é mais segura. “É um caminho sem volta”, diz o advogado. “Teremos de fazer pequenos ajustes para nos adaptar, mas já é uma realidade”.

Fonte: Época Negócios 10/3/2021

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