21 de julho de 2026
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INPI publica estudo sobre a posição do Brasil no cenário global de investimentos intangíveis
No dia 08 de julho, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) publicou o estudo “O Brasil no Cenário Global de Investimentos Intangíveis: como o país se posiciona frente às principais economias na nova fronteira de investimentos”, suplemento nacional ao relatório internacional World Intangible Investment Highlights (WIIH) 2026, elaborado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) em parceria com a Luiss Business School. O documento integra o projeto Intangible Assets in the Global Economy, iniciativa voltada a mapear com maior precisão os investimentos em ativos como software, marcas, desenhos industriais e pesquisa e desenvolvimento (P&D), elementos que vêm ganhando peso crescente na geração de valor econômico, mas que ainda escapam, em boa parte, das estatísticas contábeis tradicionais.
Segundo o suplemento, o investimento intangível brasileiro apresenta trajetória peculiar quando comparado a economias de renda média semelhantes, como Índia e Filipinas. Enquanto nesses países o investimento em ativos tangíveis tende a crescer com maior velocidade, muitas vezes puxado pelo processo de catch-up em infraestrutura física, o Brasil caminha na direção oposta. Entre 2013 e 2023, o investimento intangível nacional avançou 2,8% ao ano, ao passo que o tangível recuou 1,5% ao ano no período de 2011 a 2021.
Embora o investimento intangível tenha crescido mais rapidamente que o tangível nos últimos anos, a estrutura produtiva brasileira permanece mais voltada a ativos físicos. Em 2023, os investimentos em intangíveis corresponderam a 7,6% do PIB, frente a 13,8% dos tangíveis, padrão semelhante ao de outras economias emergentes e distinto de países como Estados Unidos, França e Reino Unido, onde os investimentos intangíveis já superam os tangíveis. Ainda assim, o Brasil figura entre as sete maiores economias do mundo em investimento intangível absoluto, com US$ 312 bilhões em 2023. Além disso, a participação dos intangíveis no PIB já supera a de setores como a agropecuária (6,0%) e o financeiro (6,6%), e corresponde a mais do que o dobro da contribuição das indústrias extrativas, como mineração e petróleo (3,7%).
Um dos principais achados do relatório refere-se à composição dos investimentos em ativos intangíveis. Em 2023, tanto no cenário mundial quanto no Brasil, o capital organizacional representou a maior parcela desses investimentos, correspondendo a 30,5% do total global e a 29% do total brasileiro. Em relação aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), entretanto, observa-se uma diferença significativa entre os dois contextos. No cenário mundial, a P&D ocupa a segunda posição entre os investimentos em ativos intangíveis, com participação de 20,6%. No Brasil, por outro lado, ela figura apenas na quinta colocação, respondendo por 6,6% do total dos investimentos em ativos intangíveis
Em contrapartida, as marcas assumem papel de destaque na economia brasileira, ocupando a segunda posição, com 25,3% dos investimentos internos. Esse percentual é significativamente superior à média mundial de 14,7% e supera inclusive o Reino Unido (25%), país com a maior participação relativa de marcas entre as economias de alta renda. Essa forte prioridade interna por marcas, combinada ao fato de o Brasil possuir uma das maiores economias intangíveis do mundo, faz com que o país figure como o quinto maior investidor em marcas em termos absolutos, atrás apenas de Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Alemanha.
O relatório também destaca que a inteligência artificial (IA) impulsiona investimentos em infraestrutura física e ativos intangíveis, como dados, software e qualificação profissional. Enquanto os Estados Unidos concentram 62% dos gastos privados globais em infraestrutura de IA, o Brasil ainda está em estágio inicial de adoção, mas dispõe de uma oportunidade estratégica para fortalecer sua competitividade por meio desses ativos intangíveis.
Por fim, de acordo com os dados apresentados, 71,5% do investimento intangível brasileiro não estava representado no Sistema de Contas Nacionais em 2023, patamar superior à média das 29 economias analisadas pelo WIIH. Caso esses valores fossem plenamente incorporados às estatísticas oficiais, a taxa de investimento do país subiria de 16,4% para 21,4% do PIB. Diante desse cenário, o INPI defende o aprimoramento dos métodos de mensuração e a revisão do modelo tradicional de política econômica, destacando a propriedade intelectual como ativo estratégico para a competitividade. O Instituto ressalta, ainda, que a persistente percepção da PI como um custo burocrático, e não como um ativo econômico, limita seu potencial de geração de valor e de acesso a financiamento.
O relatório pode ser acessado através do link: WIIH2026_Suplemento_Brasil_INPI.pdf.
