06 de outubro de 2026
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Global Innovation Index 2026: Brasil ocupa 53ª posição no ranking global de inovação da OMPI
Em 29 de setembro, a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) lançou a 19ª edição do Global Innovation Index (GII), com o tema “Powering Entrepreneurs at the Frontier of Science”. O relatório avalia 139 economias e mapeia os 100 principais clusters de inovação do mundo, isto é, concentrações geográficas de atividades inovadoras, com dados majoritariamente referentes ao período de 2024 a 2026. A edição deste ano destaca o empreendedorismo baseado em deep science, voltado ao desenvolvimento de novas tecnologias a partir de avanços científicos, especialmente em áreas como ciências da vida, semicondutores, robótica, setor espacial, energia e materiais avançados.
O GII é um índice anual da OMPI que avalia o desempenho das economias em inovação a partir de 79 indicadores, organizados em sete pilares. Eles abrangem instituições; capital humano e pesquisa; infraestrutura; sofisticação de mercado; sofisticação empresarial; resultados de conhecimento e tecnologia; e resultados criativos.
No cenário global, os investimentos em inovação voltaram a apresentar, em geral, resultados positivos em 2025, embora o crescimento da maioria dos indicadores tenha permanecido abaixo da tendência observada na última década. A produção científica atingiu o recorde de 2,4 milhões de artigos em 2025. Os investimentos globais em pesquisa e desenvolvimento (P&D) cresceram 4,7% em termos reais em 2024, ano em que a China ultrapassou ligeiramente os Estados Unidos em volume total de gastos.
O valor dos negócios de capital de risco (venture capital), modalidade de financiamento voltada a empresas com potencial de crescimento, aumentou cerca de 28% em 2025, alcançando US$ 510 bilhões. A inteligência artificial respondeu por 53% do valor dos negócios naquele ano e por 77% no primeiro semestre de 2026. Em propriedade intelectual, por outro lado, os depósitos de pedidos de patente pelo Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT) cresceram apenas 0,7%.
No topo do ranking do GII 2026, a estabilidade continua sendo a principal característica. A Suíça ocupa a primeira posição pelo 16º ano consecutivo, seguida por Suécia, Estados Unidos, República da Coreia e Singapura. Nenhuma nova economia entrou no grupo das 15 primeiras. A Europa concentra 14 das 25 economias líderes, enquanto a China, na 10ª posição, permanece como a única economia de renda média entre as dez primeiras.
O relatório identifica um “teto de vidro” para o avanço de outras economias de renda média. A expressão se refere à dificuldade de continuar reduzindo a distância em relação às economias de alta renda depois de determinados avanços iniciais. A convergência tem sido mais fácil em áreas como produção e exportações, financiamento de startups e propriedade intelectual, mas mais difícil na construção de uma base de conhecimento e na pesquisa e desenvolvimento, que dependem de capacidade científica acumulada e investimentos de longo prazo. Entre as economias de renda média que mais avançaram desde 2013, a China é a única que já alcançou níveis de desempenho de economias de alta renda em 21 dos 25 indicadores utilizados nessa comparação.
O Brasil ocupa a 53ª posição no GII 2026 e a segunda na América Latina e no Caribe, atrás do Chile (51ª). Desde 2019, o país integra uma nova onda de economias que vêm avançando no ranking e, pelo sexto ano consecutivo, é a única economia da região classificada como overperformer, isto é, aquela cujo desempenho em inovação supera o que seria esperado para seu nível de desenvolvimento.
Entre os principais pontos fortes do Brasil estão a atividade relacionada a marcas, na qual ocupa a 8ª posição, os pagamentos pelo uso de propriedade intelectual, na 13ª, o capital de risco em estágio avançado, na 16ª, os investidores corporativos em P&D, na 23ª, e os modelos de utilidade, na 24ª. São Paulo aparece na 49ª posição entre os 100 principais clusters de inovação do mundo, reforçando a concentração, no estado, de atividades de pesquisa, tecnologia e empreendedorismo.
O tema especial desta edição traz uma perspectiva relevante para a propriedade intelectual (PI). Segundo o relatório, mais de 30 mil startups de deep science e spinouts universitários foram criadas desde 2000, com valor combinado de US$ 7,6 trilhões, considerando as últimas avaliações conhecidas. Essas empresas atuam em áreas que exigem pesquisa prolongada, infraestrutura especializada e processos de validação antes de alcançar o mercado, podendo levar de 5 a 15 anos para gerar receitas. Nesse contexto, as patentes desempenham papel relevante no período entre a invenção e a comercialização, constituindo um dos poucos ativos verificáveis capazes de apoiar a obtenção de financiamento, a formação de parcerias e acordos de licenciamento. Segundo a OMPI, 49,7% das startups de deep science possuem patentes, em comparação com 15,4% das demais startups.
A proporção de startups detentoras de patentes aumenta conforme as empresas avançam em seu estágio de desenvolvimento, passando de cerca de 43% nas fases iniciais para 69% nas fases mais avançadas. Entre os diferentes setores de deep science, o de dispositivos médicos e saúde digital (Medical Devices and Digital Health) apresenta, globalmente, a maior proporção de startups detentoras de patentes, com 57,8%. No Brasil, a HiLab aparece entre os principais titulares de patentes de deep science nas economias de renda média, com 10 famílias de patentes, todas relacionadas ao setor de dispositivos médicos e saúde digital.
O GII 2026 aponta, assim, para uma liderança global relativamente estável, ao mesmo tempo em que economias de renda média avançam e enfrentam dificuldades para superar o “teto de vidro”. O relatório destaca ainda que diferentes regiões seguem trajetórias próprias de inovação e que o nível de renda, isoladamente, não determina o desempenho inovador, que depende da capacidade de conectar pesquisa, financiamento, instituições e mercados.
O relatório pode ser acessado através do link: Global Innovation Index 2026 – Executive Version
