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OMPI lança o Relatório Mundial de Propriedade Intelectual 2026 sobre a velocidade da difusão tecnológica no mundo, com destaques sobre o Brasil

03 de março de 2026

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OMPI lança o Relatório Mundial de Propriedade Intelectual 2026 sobre a velocidade da difusão tecnológica no mundo, com destaques sobre o Brasil

A Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) lançou o World Intellectual Property Report 2026: Technology on the Move, que examina como as inovações se difundem globalmente — da invenção à adoção em larga escala — e de que modo a aceleração desse processo influencia o desenvolvimento econômico e as desigualdades entre países. Com base em dados históricos e em estudos de caso nos setores agrícola, de energia limpa e digital, o relatório evidencia que inovar, por si só, não é suficiente: as tecnologias apenas geram impacto quando são efetivamente absorvidas e implementadas. Nesse contexto, a propriedade intelectual desempenha papel central no estímulo à inovação. Contudo, para que essa inovação alcance êxito, é indispensável considerar fatores regulatórios e geopolíticos, que continuam a moldar a trajetória tecnológica global.

No primeiro capítulo, a OMPI destaca que políticas públicas, marcos regulatórios e sistemas de Propriedade Intelectual equilibrados são determinantes para a difusão tecnológica. Evidências históricas mostram que, quando essas condições estão presentes, a adoção se acelera de forma inédita. O segundo capítulo examina os fluxos internacionais de conhecimento e revela que o tempo médio para uma patente receber sua primeira citação internacional caiu de 2,8 anos, na década de 1970, para menos de 2 anos na década de 2020. Ainda assim, tecnologias de base científica profunda — como IA e biotecnologia — levam, em média, 10 anos para converter descobertas científicas em aplicações patenteadas.

A análise setorial aprofunda essas dinâmicas. No terceiro capítulo, dedicado à agricultura, o relatório mostra que culturas geneticamente modificadas (GM) e tecnologias de agricultura de precisão (PATs) se difundem mais rapidamente em grandes propriedades, e que o ciclo médio entre descoberta e aprovação regulatória de uma nova semente GM é de aproximadamente 16,5 anos. O quarto capítulo examina as tecnologias limpas a partir de estudos de caso sobre energia solar, veículos elétricos e hidrogênio, evidenciando que a difusão depende da superação de barreiras de infraestrutura e coordenação. O quinto capítulo trata da difusão digital e mostra que gargalos de infraestrutura continuam centrais para a exclusão tecnológica

No que se refere ao Brasil e à América Latina e Caribe (LAC), o relatório aponta desafios estruturais combinados com experiências de adoção acelerada. Como bloco, a LAC ainda apresenta lentidão na absorção de tecnologias de ponta: a ciência regional leva de 8 a 9 anos para se converter em patentes locais, e há defasagens de 12 a 17 anos na reutilização de trajetórias de tecnologias limpas desenvolvidas em outras regiões.

O Brasil, contudo, se destaca. O relatório indica que o país apresenta taxas de uso de GenAI muito superiores às esperadas para seu nível de renda, sinalizando rápida resposta social e institucional à difusão digital. No agronegócio, o desempenho é ainda mais expressivo: o milho geneticamente modificado foi adotado em cerca de 80% das áreas cultivadas em apenas seis anos após o início da comercialização, ritmo superior ao observado nos Estados Unidos.

Em síntese, embora a América Latina enfrente limitações institucionais para converter ciência em inovação local, o Brasil demonstra que a difusão tecnológica pode ser extremamente rápida quando há demanda econômica, incentivos adequados e acesso ao mercado. O desafio central passa menos pelo acesso em si e mais pelo fortalecimento da capacidade de absorção local — por meio de educação, infraestrutura e sistemas de Propriedade Intelectual — como condição para transformar inovação em crescimento econômico sustentável. Parte superior do formulárioParte inferior do formulário

O Relatório da OMPI pode ser acessado através do link: Relatório Mundial de Propriedade Intelectual de 2026

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